Curso

Teoria, prática orientada e organização dos processos de pesquisa e escrita

Este curso foi desenvolvido como uma introdução estruturada à presença das inteligências artificiais nos processos de leitura, pesquisa, organização bibliográfica e escrita acadêmica.

A proposta combina experimentação prática e reflexão conceitual, ajudando estudantes, professores e pesquisadores a construir formas mais conscientes, criteriosas e responsáveis de dialogar com modelos de linguagem.

Mais do que apresentar comandos ou plataformas, o curso procura compreender como esses sistemas participam da produção do conhecimento e como sua presença transforma questões relacionadas à autoria, ao contexto, à integridade científica e à responsabilidade intelectual.

Edição de 2026

Datas: 28 e 30 de abril; 5 e 7 de maio de 2026
Horário: 19h às 21h
Carga horária: 8 horas
Formato: online
Vagas: limitadas

Valor do curso: R$ 450

Inscrições e pagamento pela plataforma Sympla, com possibilidade de parcelamento no cartão.

Foram oferecidas condições especiais para integrantes da comunidade UFBA, mediante contato.

Eixos do curso

Práticas de pesquisa e escrita

  • leitura e análise de textos acadêmicos em diálogo com o ChatGPT;
  • coescrita, revisão e estruturação de textos;
  • organização de argumentos e capítulos;
  • síntese, comparação e exploração de documentos;
  • organização de bibliografias, notas e referências;
  • desenvolvimento de rotinas pessoais de pesquisa.

Contexto e mediação

  • engenharia de contexto e preparação das conversas;
  • diferenças entre interações superficiais e processos reflexivos;
  • limites dos modelos de linguagem;
  • rastreabilidade e registro do processo;
  • autoria, transparência e integridade científica;
  • possibilidades de RAG e bases pessoais de conhecimento.

O objetivo foi equilibrar experimentação prática e reflexão crítica, sem transformar a relação com a IA em uma sequência de procedimentos automáticos ou receitas universais.

Referências conceituais

O curso articulou as atividades práticas com reflexões sobre tecnologia, cognição, conhecimento, ética e mediação.

Entre os autores mobilizados estavam:

  • Ethan Mollick;
  • Luciano Floridi;
  • Pierre Lévy;
  • Bruno Latour;
  • Yuk Hui.

Não se trata apenas de perguntar o que a inteligência artificial pode fazer, mas de compreender o que fazemos com ela — e o que ela faz conosco.

Uma nova ecologia da escrita

Há algo novo acontecendo na forma como pensamos, lemos e escrevemos.

Não se trata apenas da chegada de uma nova tecnologia, mas de uma transformação mais profunda: a emergência de sistemas capazes de participar dos processos de produção textual e organização do conhecimento.

A inteligência artificial generativa, especialmente os modelos de linguagem, introduz um novo tipo de mediação entre o pesquisador, as fontes, as referências e o texto. Escrever, nesse contexto, pode se tornar uma experiência de coescrita.

Esse movimento também começa a ser reconhecido institucionalmente. As diretrizes apresentadas por instituições científicas e acadêmicas reforçam a necessidade de relações responsáveis e transparentes com a inteligência artificial, considerando princípios como autoria, rastreabilidade, responsabilidade e integridade científica.

O desafio, portanto, não consiste simplesmente em proibir ou incorporar esses sistemas, mas em construir formas críticas, situadas e eticamente orientadas de convivência com eles.

Da instrumentalização à mediação

Durante muito tempo, as tecnologias digitais foram compreendidas principalmente como instrumentos externos: buscadores, editores de texto, bancos de dados e sistemas de armazenamento.

Com os modelos de linguagem, essa situação se modifica. Esses sistemas respondem, reorganizam informações, sugerem estruturas, simulam interlocuções e produzem textos. Sua participação nos processos intelectuais não é neutra e não pode ser reduzida a uma operação automática.

Passamos a lidar com uma mediação que interfere na maneira como formulamos perguntas, organizamos materiais, desenvolvemos argumentos e percebemos o próprio processo de escrita.

O que está em jogo na pesquisa acadêmica

  • Como realizar leituras e revisões bibliográficas em diálogo com uma IA?
  • Como organizar referências e desenvolver argumentos sem delegar a responsabilidade intelectual?
  • Como preservar rigor, autoria e transparência?
  • Como reconhecer erros, simplificações, vieses e informações inventadas?
  • Quais são os limites éticos e epistemológicos dessa relação?

A proposta não é substituir o pesquisador, mas compreender a reconfiguração de seu papel.

A IA pode participar como apoio à leitura, interlocutora, organizadora de contexto, assistente de escrita e espaço de experimentação conceitual. A responsabilidade pelas escolhas, interpretações e decisões, entretanto, permanece com quem pesquisa e escreve.

Talvez estejamos entrando em uma nova fase da cultura escrita. Se antes um dos principais desafios era acessar informações, hoje precisamos também organizar, interpretar e dialogar com sistemas que produzem linguagem.

A coescrita com IA não elimina o autor, mas exige uma autoria diferente:

  • mais consciente das mediações;
  • mais atenta ao contexto;
  • mais responsável pelas escolhas;
  • mais cuidadosa com as fontes e os registros;
  • menos centrada na execução e mais dedicada à curadoria e à articulação.

Sobre

André Stangl

Sou filósofo, educador e pesquisador da cultura digital. Sou doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo, mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia e graduado em Filosofia pela UFBA.

Atuo como professor e pesquisador visitante no Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, além de ser colunista do jornal Correio, de Salvador, e coordenador da Oficina de Linguagens Digitais.

Minha trajetória reúne pesquisa, ensino e experimentação na interseção entre inteligência artificial, educação, cultura digital e produção do conhecimento. Nos últimos anos, venho desenvolvendo metodologias de coescrita com IA e investigando como esses sistemas podem participar dos processos de leitura, organização, pesquisa e criação.

Também desenvolvo cursos, oficinas e mentorias dedicados à presença crítica e responsável da IA em contextos acadêmicos, profissionais e criativos, abordando temas como engenharia de contexto, agentes, RAG, análise documental, gestão bibliográfica, autoria e rastreabilidade.

Na mídia

Colunista do Correio oferece curso e mentoria sobre IA na pesquisa acadêmica

Reportagem publicada pelo jornal Correio sobre a proposta do curso e da mentoria, destacando as transformações provocadas pela inteligência artificial nos processos de pesquisa, leitura e escrita acadêmica.

Créditos

Texto e projeto: André Stangl.

Esta página foi desenvolvida em processo de coescrita com inteligência artificial.

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