Coexistência Criativa com IAs
Pesquisa, criatividade, organização e pensamento na era dos agentes de IA
Curso com André Stangl
Datas: 11, 13, 18 e 20 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h
Carga horária: 8h

Apresentação
O curso Coexistência Criativa com IAs propõe uma aproximação prática, crítica e experimental com as inteligências artificiais, considerando suas possibilidades, seus limites e as responsabilidades que emergem nessa nova ecologia cognitiva.
Ao longo dos encontros, discutiremos e experimentaremos diferentes formas de interação com sistemas de IA em processos de pesquisa, escrita, criação, organização de ideias, planejamento de projetos e construção de ambientes pessoais de trabalho intelectual.
Também abordaremos a emergência dos agentes de IA, capazes de realizar sequências mais complexas de ações, articular diferentes etapas de uma atividade, trabalhar com documentos e produzir artefatos variados. Mais do que apresentar funcionalidades, o curso procura compreender como essas tecnologias participam da transformação de nossos modos de pensar, trabalhar, aprender, pesquisar e criar.
A proposta não parte da ideia de que a IA seja apenas um instrumento externo, colocado à disposição de um sujeito inteiramente autônomo. Interessa-nos investigar as relações que se estabelecem entre pessoas, linguagens, sistemas técnicos, arquivos, redes, imagens e formas de memória. Trata-se, portanto, de pensar a IA como parte de ambientes híbridos de criação e conhecimento, nos quais a agência se distribui, mas a responsabilidade não desaparece.
Objetivos
O curso tem como objetivo oferecer uma introdução teórica e prática às relações criativas com as inteligências artificiais, articulando reflexão conceitual, experimentação técnica e análise de seus impactos culturais, cognitivos, políticos e éticos.
A proposta não é ensinar “prompts mágicos”, nem promover uma adesão ingênua às plataformas. Busca-se construir repertório para uma convivência mais consciente com as IAs: reconhecer em quais situações sua presença pode contribuir, quando é preferível recusá-la, como verificar resultados, preservar a autoria, registrar processos e organizar um ecossistema pessoal de criação e pensamento.
Ao final dos encontros, espera-se que as pessoas participantes possam:
- compreender a IA generativa como parte de uma nova ecologia cognitiva;
- experimentar processos de criação, pesquisa, escrita e organização mediados por IAs;
- distinguir interações conversacionais, criativas, assistivas e agentivas;
- desenvolver estratégias de diálogo e construção de contexto com modelos generativos;
- reconhecer limites, vieses, riscos e responsabilidades envolvidos nessas relações;
- estruturar um ecossistema pessoal de trabalho intelectual em diálogo com sistemas de IA;
- preservar autoria, julgamento crítico e autonomia em processos mediados por inteligência artificial;
- estabelecer critérios para decidir o que pode ser delegado e o que deve permanecer sob condução humana.
Público
O curso é voltado a pessoas interessadas em compreender e experimentar processos criativos em diálogo com as inteligências artificiais, especialmente nas áreas de educação, pesquisa, comunicação, artes, escrita, cultura digital, gestão de projetos, produção de conteúdo e organização do conhecimento.
Não é necessário conhecimento técnico avançado. A proposta é acessível a iniciantes, mas também pode interessar a pessoas que já mantêm contato frequente com sistemas de IA e desejam aprofundar essa relação de maneira mais consciente, organizada, crítica e experimental.
Metodologia
Os encontros combinam exposição conceitual, demonstrações práticas, exercícios orientados, análise de exemplos e experiências com sistemas generativos.
A cada aula, serão apresentados conceitos, problemas e questões críticas, seguidos de atividades que permitirão às pessoas participantes experimentar diferentes modos de interação com as IAs. O curso valoriza a comparação de versões, a observação dos processos de criação, a verificação das respostas, a construção de critérios e a reflexão sobre situações concretas.
A metodologia parte da ideia de que aprender a conviver com a IA não significa apenas dominar comandos ou conhecer plataformas. Significa desenvolver uma postura investigativa diante das mediações tecnológicas: formular perguntas consistentes, construir contextos, avaliar respostas, reconhecer limites, experimentar caminhos e decidir o que pode ou não ser delegado aos sistemas técnicos.
A atenção não estará voltada apenas para os resultados finais, mas também para os percursos que os tornam possíveis. Por isso, serão valorizados o registro das etapas, a revisão humana, a explicitação das escolhas e a análise das relações estabelecidas entre pessoas e sistemas.
Estrutura do curso
O curso está organizado em quatro encontros de duas horas.
Aula 1 — Coexistência criativa: do hibridismo digital às ecologias cognitivas
Data: 18 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h
A primeira aula apresenta a proposta geral do curso e recupera conceitos fundamentais para pensar as relações entre humanos, máquinas e ambientes tecnológicos.
Este curso retoma e atualiza questões que acompanham minha trajetória de pesquisa há mais de duas décadas.
No mestrado, concluído em 2004, investiguei o hibridismo digital, as transformações da identidade nas redes e as relações entre humanos, máquinas e ambientes tecnológicos. Naquele momento, interessava-me compreender como as tecnologias não funcionam apenas como objetos externos, mas como extensões e mediações que participam da maneira como percebemos, nos comunicamos e construímos o mundo.
No doutorado, concluído em 2016, aprofundei essa reflexão por meio dos conceitos de coexistência mediada, ecologias cognitivas e atenção distribuída. Passei a compreender a cognição não como algo restrito à mente individual, mas como um processo que se distribui entre pessoas, linguagens, objetos, imagens, dispositivos, redes e diferentes formas de mediação.
Partiremos da noção de hibridismo digital para compreender como as tecnologias participam da formação da identidade, da percepção e da comunicação. Em seguida, discutiremos os conceitos de coexistência mediada, ecologias cognitivas e atenção distribuída, considerando a cognição como um processo que se organiza entre sujeitos, linguagens, dispositivos, redes e sistemas técnicos.
A chegada das IAs generativas será analisada a partir dessa perspectiva: não como uma ruptura absoluta, mas como uma intensificação de processos já presentes na cultura digital. O desafio será compreender o que se transforma quando sistemas técnicos passam a produzir textos, imagens, códigos, sínteses, classificações, perguntas, planejamentos e respostas em diálogo conosco.
Temas principais
- hibridismo humano-máquina;
- tecnologias como extensões e mediações cognitivas;
- coexistência mediada;
- ecologias cognitivas;
- atenção distribuída;
- IA generativa como ambiente de criação e pensamento;
- autoria, agência e responsabilidade humana.
Aula 2 — Conversar, pesquisar e criar com IAs generativas
Data: 20 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h
A segunda aula será dedicada às práticas de interação com chatbots e modelos generativos. Em vez de tratar o prompt como uma fórmula mágica, vamos compreendê-lo como parte da construção de contexto, do diálogo e da mediação.
Serão experimentadas estratégias para escrever, revisar, pesquisar, organizar ideias, produzir versões, simular perspectivas e elaborar perguntas mais consistentes em diálogo com a IA.
A proposta é compreender a IA como uma interlocutora ambígua: capaz de ampliar possibilidades, estabelecer associações inesperadas e contribuir para a elaboração de ideias, mas também de produzir simplificações, erros, vieses ou respostas apenas aparentemente consistentes.
A aula discutirá ainda a importância da verificação, da edição humana, da explicitação dos processos e da responsabilidade em contextos acadêmicos, profissionais e criativos.
Temas principais
- prompt como construção de contexto;
- diálogo em camadas com modelos generativos;
- IA em funções de edição, crítica, organização e provocação;
- coescrita mediada e revisão de textos;
- pesquisa com IA: perguntas, hipóteses e organização inicial;
- RAG e pedagogia de contexto;
- comparação de perspectivas e produção de versões;
- alucinações, erros e respostas plausíveis;
- critérios de verificação e responsabilidade;
- transparência sobre a presença da IA nos processos de criação.
Aula 3 — IA agentiva: delegação, automação e novos fluxos de trabalho
Data: 11 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h
A terceira aula introduz o tema da IA agentiva. Enquanto os chatbots se concentram principalmente em responder a perguntas e solicitações, os agentes de IA começam a realizar sequências mais complexas de ações: planejar etapas, trabalhar com arquivos, gerar códigos, testar soluções, pesquisar informações, organizar materiais e produzir diferentes tipos de artefato.
Vamos discutir as diferenças entre chatbot, copiloto e agente, observando ambientes como ChatGPT Work/Codex, Claude Code, Openclaw e outras plataformas de produção assistidas por IA.
O foco, entretanto, não estará restrito à programação. A aula examinará transformações mais amplas nos fluxos de trabalho intelectual: organização de arquivos, preparação de aulas, análise de dados, revisão de documentos, estruturação de sites, criação de protótipos, comparação de versões e automatização de atividades recorrentes.
Também serão abordados os cuidados necessários na relação com agentes: definição clara de objetivos, delimitação de permissões, acompanhamento das etapas, revisão humana, rastreabilidade, proteção de dados e estabelecimento de critérios de qualidade.
Temas principais
- o que caracteriza uma IA agentiva;
- diferenças entre chatbot, copiloto e agente;
- trabalho por delegação;
- planejamento e execução de múltiplas etapas;
- Codex e ambientes de programação assistida;
- agentes em processos de pesquisa, organização e criação;
- automação de fluxos de trabalho;
- revisão humana e controle de qualidade;
- riscos da delegação excessiva;
- privacidade, permissões e segurança;
- responsabilidade diante das ações realizadas pelos sistemas.
Aula 4 — Ecossistema pessoal de IA: organização, memória e autoria
Data: 13 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h
A última aula será dedicada à construção de um ecossistema pessoal de trabalho intelectual em diálogo com a IA.
A questão central será: como organizar arquivos, notas, referências, ambientes e processos para que a IA participe da pesquisa, da criação e do pensamento sem substituir o julgamento humano?
Discutiremos ambientes de organização do conhecimento, com destaque para Obsidian, editores de texto, pastas locais, documentos em nuvem e sistemas de notas conectadas. A ideia é compreender como uma memória pessoal organizada pode estabelecer diálogos mais consistentes com sistemas de IA, contribuindo para transformar materiais dispersos em textos, aulas, projetos, roteiros, apresentações e pesquisas.
Também serão apresentados, de modo complementar, caminhos relacionados a modelos abertos e modelos executados localmente. Esse tema não será o centro do curso, mas integrará a discussão sobre autonomia técnica, privacidade, soberania dos dados e alternativas às plataformas fechadas.
Ao final, cada participante será convidado a esboçar seu próprio estúdio de coexistência criativa: um arranjo pessoal de arquivos, referências, memórias, sistemas e critérios, adequado aos seus interesses e processos.
Temas principais
- ecossistemas pessoais de criação em diálogo com a IA;
- organização de notas, arquivos, referências e bases de conhecimento;
- Obsidian, gestão bibliográfica e construção de LLM Wikis;
- memória externa, RAG e processos criativos;
- autoria, rastreabilidade, fontes e registro do processo;
- modelos abertos e sistemas locais como tema complementar;
- soberania dos dados, privacidade, autonomia e dependência de plataformas;
- desenho de um estúdio pessoal de coexistência criativa.